No domingo passado, 01/11/2026, foi realizada, na Praça das Três Caixas-d’Água, uma manifestação em defesa dos povos indígenas — uma mobilização necessária e alinhada com os atos que aconteceram em diversas partes do Brasil. Entretanto, a atividade realizada aqui em Porto Velho chamou minha atenção por um aspecto particularmente preocupante, mas que infelizmente não surpreende quem acompanha o cinismo e a práxis petista.
Poucos dias antes do segundo turno das eleições, aquele mesmo local foi tomado por uma grande mobilização que reuniu petistas, integrantes do MST, lideranças indígenas e diversos outros movimentos populares. Naquela ocasião, impulsionada pelo PT e direcionada exclusivamente para a disputa das urnas, a atividade lotou a praça.
Porém, neste domingo, o cenário foi completamente diferente. Não havia representantes da direção do PT, tampouco a presença massiva de setores acadêmicos ou de professores da Universidade Federal de Rondônia. O MST e outros movimentos sociais vinculados ao governismo simplesmente não compareceram. A manifestação contou, essencialmente, com a presença dos próprios indígenas e o apoio de algumas organizações independentes.
Durante minha fala, pela RB, destaquei que aquela ausência escancarava a contradição central da política reformista: a aposta equivocada de que a luta política se resume ao calendário eleitoral e ao cretinismo parlamentar, relegando a segundo plano a mobilização popular permanente. Os movimentos de rua e a organização de base não devem ficar restritos apenas ao período eleitoral. As transformações sociais profundas e reais só acontecem com a participação e a pressão do povo em movimento. Não podemos nos limitar à disputa eleitoral nem ceder ao cretinismo parlamentar.
A ausência desses setores em um ato de solidariedade concreta aos povos originários levanta um questionamento político incontornável: qual é o compromisso efetivo dessa esquerda institucional com as pautas populares para além do período eleitoral? A ausência observada ontem representou, na prática, um esvaziamento e um boicote velado à mobilização indígena.
Esse episódio ganha contornos ainda mais críticos quando olhamos para o panorama político nacional. Pela primeira vez na história recente, a esquerda superou a direita nas mobilizações de rua. Esse dado é fundamental: ele mostra que a classe trabalhadora e os setores populares estão dispostos a lutar, que há uma energia militante ativa e que o espaço da rua — que nos foi usurpado pela reação nos últimos anos — voltou a se abrir como terreno fértil para a disputa de projeto.
Portanto, o momento não é de recuo nem de ilusão institucional. Se pela primeira vez a esquerda supera a direita nas ruas e o povo demonstra disposição de combate, a esquerda revolucionária e os movimentos verdadeiramente independentes não podem cometer o erro de abandonar a mobilização popular para priorizar acordos de gabinete. Não devemos sair das ruas!
A defesa dos direitos dos povos indígenas, da reforma agraria e dos direitos dos trabalhadores exige presença efetiva, solidariedade concreta e organização de base diária. A luta política não cabe na urna eletrônica; ela se consolida e se vence no chão da praça.
Avancemos nas ruas e na organização popular!
Leomar Rippel
Militante da Revolução Brasileira
Professor do curso de Ciências Econômicas, Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas – FACSA, Universidade Federal de Rondônia