A Tragédia da Cinemateca Brasileira – De Dilma a Bolsonaro

 A tragédia e o abandono que cada dia avançaram sobre a Cinemateca Brasileira, convergindo-se na tragédia que presenciamos na noite de ontem, não é fruto desse governo protofascista e entreguista, gerenciado por Bolsonaro e Paulo Guedes. Embora o atual governo faça particular questão de destruir a Cultura brasileira, sua memória e seu patrimônio, quem começou o processo de dilapidação e de descaso vergonhoso sobre a nossa Cinemateca foram os governos liberais do PT, especificamente durante o primeiro governo de Dilma Rousseff, quando, em 2012, a presidente petista nomeou Marta Suplicy como Ministra da Cultura. Marta moveu, a partir de 2013, uma cruzada contra a Cinemateca Brasileira. O primeiro passo da ministra foi impor um processo, até hoje nunca esclarecido, contra a diretoria e a associação Sociedade Amigos da Cinemateca (SAC), que mantinham e geriam a instituição.

 O resultado, ainda durante o primeiro mandato de Dilma, foi a dissolução da diretoria, a suspensão das ações da SAC e a redução do número de funcionários da instituição de mais de 120 para menos de 30. Com isso foram suspensas as restaurações e a preservação de filmes, a catalogação do acervo, bem como a drástica redução da programação de filmes que eram exibidos nas duas salas de cinema da Cinemateca Brasileira. Ao longo de todo final do primeiro governo de Dilma e durante seu segundo mandato (interrompido), nada foi feito para esclarecer as supostas irregularidades da instituição e muito menos para que as atividades da Cinemateca fossem retomadas, o resultado foi o fim dos restauros, abandono da estrutura de preservação do acervo, ausência mínima de um grupo de funcionários ativos e a extinção das mostras e da programação de filmes nas salas de cinema. O total abandono e descaso do governo petista só manteve continuidade com a posse de Temer.

 Com a chegada do protofascista Bolsonaro à presidência, com sua política de perseguição e destruição da Cultura brasileira, a situação da Cinemateca chegou ao que vemos hoje. Inativa, com um acervo incalculável do audiovisual brasileiro – com mais de 44 mil títulos, de curtas à longas-metragens – deixado para apodrecer e sem funcionários sequer para manter o espaço minimamente seguro contra enchentes e incêndios. Um atentado contra a Cultura e a memória do Brasil que começou com petistas, teve sequência com Temer e que segue a passos largos como o Bolsonaro. O que vemos, portanto, não foi um súbito descaso, um sumário abandono da Cinemateca, mas a trágica culminação de um longo processo de degradação programada da cultura brasileira. Isso sem contar que há anos não ocorre nenhum concurso público que efetive especialistas técnicos em preservação,  conservação e pesquisa deste importante acervo cinematográfico. Estes, como servidores públicos, estariam aptos a garantir a continuidade das ações de proteção do patrimônio cultural, juntamente com todos os trabalhadores contratados para desenvolver as atividades na Cinemateca.

 Essa situação espelha, por sua vez, a linha de continuidade no programa econômico ultraliberal e o aprofundamento do subdesenvolvimento, que descende do PTucanismo e desagua em Bolsonaro – a expressão mais bem acabada da crise do capitalismo dependente rentístico. Em uma nação em que impera o subdesenvolvimento e a superexploração da força de trabalho a cultura é mero detalhe descartável.

 O ato de atribuir a tragédia da Cinemateca exclusivamente ao governo atual encerra uma consciência ingênua e falta de compreensão da dimensão na crise brasileira, encerra também uma perspectiva limitada acerca do combate a ser travado com vistas à superação da crise. É necessário abandonar definitivamente a ingenuidade política e as ilusões de que os nossos problemas poderão ser resolvidos em um pleito eleitoral, enquanto seguir dominando o subdesenvolvimento e a superexploração da força de trabalho (estes que não só não serão superados em um possível governo “à esquerda”, seja Lula ou Ciro, como serão aprofundados!) tragédias como esta e a do Museu Nacional estão fadadas a tornarem-se eventos recorrentes.

 Somente a partir da construção de uma vanguarda política, amparada em uma leitura e compreensão precisa da crise brasileira, calcada no mais rigoroso nacionalismo revolucionário e embasada em um concreto programa da revolução brasileira, poderemos encontrar o norte para superar os dilemas e contradições que flagelam o povo e a cultura brasileira.

 

Militância pela Revolução Brasileira

 

 

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